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Devo Seguir a Carreira Acadêmica na Universidade?

Para conseguir uma resposta para a pergunta do nosso título, primeiro você precisa conhecer o seu perfil profissional e também mergulhar no seu perfil pessoal. Isso porque a carreira acadêmica exige que você tenha interesse por buscar sempre novos conhecimentos, capacidade para analisar dados e situações, interpretar e sugerir novos processos de aprendizagem e desenvolvimento de tarefas, além de gostar de interagir com pessoas. 

Uma lista com os seus pontos fortes e fracos, levando em consideração todos os itens apresentados aqui, pode ajudá-lo nessa primeira parte do processo. Mas não é só isso! Você também deve conhecer o cenário que envolve a carreira acadêmica e o mercado de trabalho. É importante considerar, portanto, que um mestre ou doutor que permanece no País provavelmente atuará como docente, já que as possibilidades de atuar apenas com pesquisa costumam ser limitadas. Neste texto, você vai saber quais são as possíveis áreas de atuação, a formação necessária e a base salarial para quem segue uma carreira acadêmica.

A carreira acadêmica em números

Como falamos na introdução deste texto, trabalhar como professor universitário é a principal área de atuação para quem escolhe a carreira acadêmica no Brasil. Aliás, seguir esse caminho pode ser bastante promissor. Além de ter bons salários (falaremos disso mais abaixo), o mercado está em constante evolução e crescimento. 

Então, ao buscar uma carreira acadêmica visando dar aula na universidade, a sua empregabilidade pode estar garantida. Esse é um ponto bem importante e que você deve levar em consideração na hora de traçar uma trajetória profissional. Estamos falando aqui de uma carreira que, em média, pode durar 40 ou 50 anos.

De acordo com o Semesp, que representa um grupo expressivo de mantenedoras da educação em todo o Brasil, fazendo um comparativo entre os meses de janeiro e fevereiro de 2018 e o mesmo período de 2019, o número de alunos na graduação cresceu. 

Para você, um futuro profissional da área, isso significa uma possibilidade maior de trabalho. Para se ter uma ideia, o ensino presencial teve crescimento de 7,18% no período, enquanto que o ensino a distância registrou aumento de 24,03%. 

Já que você está descobrindo e traçando novas possibilidades para, quem sabe, seguir uma carreira acadêmica, vale dar uma olhada nas áreas do conhecimento que estão em alta. Confira os cursos que tiveram o maior crescimento segundo o Semesp:

Ensino presencial:

– Pedagogia: aumento de 10,39% no número de novos alunos;

– Engenharia: aumento de 9,69% no número de novos alunos;

– Administração: aumento de 5,86% no número de novos alunos.

Ensino a distância:

– Gestão RH: aumento de 72,10% no número de novos alunos;

– Ciências Contábeis: aumento de 55,82% no número de novos alunos;

– Administração: aumento de 48,80% no número de novos alunos.

Na avaliação sobre uma carreira acadêmica, é importante observar que os alunos do ensino superior estão ficando mais tempo nas salas de aula. Esse pode ser outro ponto positivo se você quer ser um professor universitário. 

Desde 2010, o número de cursos de pós-graduação aprovados pela Capes tem crescido em média 9% ao ano. Isso significa que, além de atuar como professor dos cursos de graduação, existe a possibilidade de você investir na sua carreira para virar referência na sua área e ajudar a formar alunos nos cursos de pós-graduação.

Mas se você não se identifica com o trabalho de docente ou acredita que não tem aptidão para dar aula, sem problemas. Seguindo uma carreira acadêmica, você também poderá atuar como pesquisador, em especial nas universidades públicas. Trabalhando com esse foco, você terá mais liberdade de atuação e poderá focar nas suas áreas de interesse. 

Estabilidade e formação na carreira acadêmica

O mundo acadêmico também ganha destaque para quem gosta de pensar no longo prazo. É comum conhecer docentes e pesquisadores com muitos anos de atuação em alguma universidade pública ou privada do País. Mas, para garantir essa estabilidade, é preciso estar sempre em busca de qualificação. Por isso, a formação contínua na carreira acadêmica é indispensável. 

Depois de concluir um curso de graduação, você deve investir no mestrado acadêmico. Ele serve para dar continuidade e prolongar os seus estudos. A duração de um mestrado é de aproximadamente dois anos e, ao final do curso, também é necessário apresentar uma dissertação. 

O curso de mestrado representa uma formação mais teórica e voltada para quem deseja atuar como professor ou pesquisador. O principal diferencial para ingressar em um mestrado acadêmico é a necessidade de dominar por completo um segundo idioma, normalmente o inglês. 

Então, se você ainda não tem fluência no inglês ou em outro idioma relevante para a sua área atual, o ideal é começar a investir em algum curso de capacitação ou mesmo em uma viagem para o exterior. Assim, o processo de aprendizado desse idioma poderá ser acelerado.

Para quem deseja ir além e realmente avançar em uma carreira acadêmica, após o mestrado será necessário fazer um doutorado. Essa formação dura de quatro a cinco ano, sendo preciso assistir às aulas e ter um orientador para conduzir o projeto de pesquisa que, ao final, será avaliado por uma banca. 

No caso do doutorado, o nível de profundidade da pesquisa precisa ser bem maior e o tema deve ser inédito. Essa capacidade deve ser demonstrada pela criação de um novo conhecimento e será validada por publicações em bons veículos científicos ou pela obtenção de patentes. 

A última etapa dessa formação na carreira acadêmica pode ser o pós-doutorado. Essa formação exige a realização de uma pesquisa científica que dura de seis meses a um ano e que pode ter o auxílio de bolsas de estudo. Para isso, é preciso submeter o projeto a órgãos que incentivam pesquisas científicas, como é o caso da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). 

O pós-doutorado funciona como um estágio de estudos e pesquisas realizado por um portador do título de Doutor no âmbito de uma universidade ou instituição de pesquisa. Não existe, no pós-doutorado, a figura de um orientador, mas deve haver um supervisor.

Portanto, se você quer trilhar o caminho de uma carreira acadêmica com atuação como pesquisador, uma das melhores oportunidades de qualificação pode estar no pós-doutorado. É nesse estágio da trajetória acadêmica que você terá mais mobilidade e incentivo para desenvolver novos conhecimentos e interagir com outros profissionais dedicados a trabalhar com estudos científicos.

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Cursos complementares para uma nova carreira acadêmica

Você já está acostumado a ler e ouvir que o mercado está em constante evolução, certo? Na carreira acadêmica isso não é diferente. A tecnologia passou a ser uma parte importante do processo de aprendizagem na educação e os profissionais dessa área precisam estar capacitados e atentos para esse movimento de mudança.

Essa realidade já pode ser verificada em números. De acordo com o Censo da Educação Superior, divulgado em 2018, a procura por cursos a distância cresceu 27,3% no Brasil. Os novos alunos nessa modalidade passaram de 843 mil em 2016 para cerca de 1,1 milhão em 2017. 

Isso, mais uma vez, significa que você, como profissional da carreira acadêmica, tem mais um campo de atuação amplo no qual atuar. Só que, para isso, precisa estar preparado para as novas demandas do mercado.

Para buscar essa qualificação, os cursos complementares e que duram, em média, dois meses, podem ser um importante apoio para você. A vantagem desses cursos é que eles oferecem uma capacitação rápida e acessível para quem visa ocupar uma demanda crescente na educação a distância. 

Entre as inúmeras capacitações disponíveis no mercado, vale conferir duas opções:

1. Métodos Pedagógicos com o Computador

Nesse curso, no caso de já atuar como docente, você irá aprender sobre a cultura digital, tecnologia e as mídias aplicadas à educação. Além disso, serão abordadas as novas ferramentas de interação e mediação e o uso de webquest como estratégia para a aprendizagem. 

2. Tecnologias da Informação na Educação

Nessas aulas, você terá contato com casos de uso de tecnologia na sala de aula no Brasil e no mundo, além de saber quais são as tendências dessa área para os próximos anos.

Caso você esteja no início da sua carreira acadêmica, o ideal é que você comece a se planejar desde cedo para trilhar esse caminho. O primeiro passo é você escolher uma área de atuação que tenha a ver com o seu perfil e com as suas perspectivas de trabalho no futuro. 

Se você tem pouco tempo disponível para estudar, vale a pena conferir quais cursos de graduação são oferecidos na modalidade a distância. Caso você não tenha condições de estudar em uma universidade pública e/ou deseja fazer a sua graduação em uma universidade particular, pesquise por instituições de ensino como a Estácio, que oferece bolsas de estudo para as diferentes formas de ingresso na faculdade.

Além dos cursos de qualificação rápida que comentamos acima, caso você já tenha terminado uma graduação, confira também os cursos de pós-graduação que poderão prepará-lo para uma posição diferenciada no mercado. Existem várias opções de cursos de pós na modalidade EaD. Uma das maiores instituições de ensino superior do País, a Estácio, por exemplo, oferece cursos de pós nas áreas de Educação, Direito, Gestão, Comunicação e Design, Engenharia, Marketing e Vendas, Saúde, Humanas e Tecnologia.

O mercado de trabalho para quem deseja seguir uma carreira acadêmica

De acordo com o Censo da Educação Superior, divulgado em 2018, 46,5% dos professores que atuam nos cursos a distância são mestres. Ou seja, a concorrência já está capacitada e você não pode ficar para trás. 

Para evoluir na sua carreira acadêmica é preciso investir em cursos de qualificação de forma constante. O início da sua trajetória será por um curso de graduação. Depois, você poderá fazer um curso de especialização, um mestrado e um doutorado, ou partir diretamente para um mestrado e um doutorado. 

Falando em doutorado, segundo o Censo da Educação Superior, na modalidade de ensino presencial, os professores com doutorado representam 51,1% do total e, na educação a distância, os doutores são 41,8% do total de docentes nas universidades brasileiras.

Mas, fique tranquilo! Ninguém chega nesse nível de doutorado correndo. Há tempo e espaço no mercado para você alcançar esse ponto de qualificação profissional visando uma carreira acadêmica de sucesso. Há muito espaço ainda para quem deseja investir em uma carreira para atuar nas universidades públicas e privadas do País. 

A principal diferença entre essas instituições está na forma de ingresso que você terá nas universidades para atuar como docente. Para conseguir uma vaga no setor público, você precisará passar por um concurso

Se esse for o seu sonho, invista em muitas horas de estudo, além de fazer capacitações, cursos e produzir artigos, capítulos de livros e demais produções técnico-científicas que demonstrem sua capacidade na área da pesquisa. Afinal, você precisará preencher os requisitos do edital dessas instituições, que, geralmente, exigem doutorado e qualificam melhor os docentes que possuem um bom nível de produção técnico-científica. 

Já para conseguir uma vaga nas universidades privadas, você também deve investir esforços na formação acadêmica e no seu networking. Isso pode facilitar o seu processo seletivo. Além disso, considerando o Censo da Educação Superior de 2018, dos 8,3 milhões de estudantes em cursos de graduação, 75,3% deles estão no ensino privado. Ou seja, esse segmento está em expansão de forma permanente e sempre demanda por docentes que tenham um ótimo nível de qualificação.

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Como está o salário do professor universitário no Brasil atualmente?

Os rendimentos recebidos pelos professores universitários são um atrativo para quem pensa em seguir uma carreira acadêmica. Considerando o atual cenário do mercado profissional, um professor de faculdade é bem remunerado. 

Além disso, de acordo com um levantamento da Catho, quem possui uma especialização pode aumentar o seu salário em até 53,7%. Esse poderá ser o seu primeiro passo, mas, como você já leu aqui antes, a sua carreira provavelmente precisará que você avance em cursos de mestrado, doutorado e, quem sabe, até de pós-doutorado. 

A cada passo que você der nessa escala de qualificação visando uma carreira acadêmica, mais perspectivas de receber um salário maior você terá. Ainda assim, essa variação vai depender muito do foco da sua atuação, se será em uma instituição pública ou privada. Isso porque nas universidades públicas existe um plano de cargos e salários muito claro e que valoriza o docente que investe em sua própria qualificação. Já nas universidades privadas essa valorização também existe, mas nem sempre é tão bem definida quanto nas instituições públicas. 

Dados da Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes) revelam que o piso salarial do professor de faculdade na rede federal em regime de dedicação exclusiva fica entre R$ 4 mil e R$ 19 mil, aproximadamente.  

Se você tem interesse em atuar em universidades públicas, confira alguns exemplos de salários nessas instituições segundo dados da Proifes:

– Professor auxiliar: salário entre R$ 4.455 a R$ 9.585;

– Professor assistente: de R$ 4.944 a R$ 10.611;

– Professor adjunto: de R$ 5.488 a R$ 12.512;

– Professor associado: de R$ 7.167 a R$ 17.641;

– Professor titular: de R$ 8.119 a R$ 19.440.

No entanto, se você não quer investir tempo em um concurso público, outro levantamento da Catho apontou que os professores das universidades privadas ganham a média de R$ 3.504,00. Esse nível salarial é para os docentes que já concluíram um mestrado. 

Tendo todos esses parâmetros em mente e somando isso aos seus desejos profissionais, lembre-se que ainda é preciso montar um currículo capaz de expressar todas as suas conquistas. 

Nesse sentido, manter um Currículo Lattes atualizado se tornou uma questão vital, já que esse tipo de currículo se tornou um padrão nacional no registro da vida dos estudantes, dos docentes e dos pesquisadores do País. 

O Currículo Lattes é adotado pela maioria das instituições de fomento, universidades e institutos de pesquisa. Então, ter um currículo atualizado nessa plataforma será um passo fundamental para a sua carreira acadêmica. Também tenha em mente que a atuação em congressos, seminários, simpósios e demais eventos conta positivamente para o histórico de um docente ou pesquisador.

Em concursos para dar aulas em universidades federais, por exemplo, são contados pontos de acordo com a quantidade de eventos que o profissional participou, bem como dos artigos publicados. Além disso, lembre-se que em congressos, seminários, simpósios e demais eventos de cunho científico existem inúmeros profissionais de diferentes áreas de atuação e regiões. Então, ao participar desses eventos, sua rede de contatos poderá ser ampliada, o que facilitará a sua colocação no mercado caso você opte por instituições privadas.